«Imaginem esta palavra phase, escripta assim: fase. Não nos parece uma palavra, parece-nos um esqueleto (...) Affligimo-nos extraordinariamente, quando pensamos que haveriamos de ser obrigados a escrever assim!»
Alexandre Fontes, A Questão Orthographica, Lisboa, 1910, p. 9.

terça-feira, outubro 30, 2012

Maciço e não massivo

"Jornal oficial nega existência de armas de destruição massiva" (TSF online)

A propósito da utilização do adjetivo "massivo" deixo-vos com os esclarecimentos de dois colaboradores do Ciberdúvidas.

Maciça é a forma feminina de maciço, adje(c)tivo de origem castelhana (“macizo”), que significa compacto, sólido, etc. Em Português significa ainda grande quantidade de alguma coisa, grosseiro, pesado, etc. Daqui se conclui que se justifica a expressão armas de destruição maciça. “Massiva” é a forma feminina do adjectivo “massivo” que constitui um neologismo na Língua Portuguesa. “Massiva” e “massivo” provêm do vocábulo inglês “massive”, que, por sua vez, tem origem nas palavras francesas “massif” e “massive”. Foi uma criação da língua francesa tendo por base a forma latina ‘massa’. Os franceses usam a expressão “bombardement massif”. A origem latina e neolatina da palavra “massivo” e “massiva” ajudaram à rápida entrada na Língua Portuguesa. Aqui no Ciberdúvidas temos várias respostas condenando este neologismo, uma vez que quer significar exa(c)tamente o mesmo que maciço. Pessoalmente, acho-o um neologismo aceitável.
Pelas razões apresentadas, também a expressão armas de destruição em massa é perfeitamente clara e está de acordo com a evolução semântica da palavra latina ‘massa'.

A. Tavares Louro:: 19/12/2003

 
Massiva está sempre errado. Este adjectivo é um galicismo condenável, dado que temos há muito, com o mesmo significado, o vernáculo maciço. Portanto: «armas de destruição maciça».F. V. Peixoto da Fonseca:: 03/04/2003

Imigrante vs emigrante

Os termos “imigrante” e “emigrante” têm significados opostos.
Imigrante é aquele que entra num país, emigrante é aquele que sai de um país.

 Para empregar o termo adequado, é necessário levar em consideração o ponto de referência.
Do ponto de vista de quem está em Portugal, imigrante é o estrangeiro que vem viver para o nosso país. Já o português que sai para viver noutro país é um emigrante.
 
 
 
Mnemónica simples: I entra E sai!
 
 

sexta-feira, outubro 05, 2012

Trinta e um; Trinta-e-um

Deixo-vos com a resposta obtida, no portal Ciberdúvidas, a propósito da locução "trinta-e-um!

«Trinta e um» e trinta-e-um

[Pergunta] Tendo em conta que, segundo o Acordo Ortográfico de 1990, nas locuções não se emprega em geral o hífen, gostaria de saber a razão da manutenção na palavra trinta-e-um.
Trata-se, ou não, de uma locução?
Cristina Fontes:: Professora :: Braga, Portugal
[Resposta] O Grande Dicionário da Língua Portuguesa (2010), da Porto Editora (com a aplicação do Acordo Ortográfico) regista unicamente a forma trinta e um sem hífen — indicando que é distinta da da «grafia anterior: trinta-e-um».
Assim, segundo esta fonte, trinta e um é a forma gráfica para designar os vários sentidos da palavra e as diferentes classes de palavras (nome masculino e numeral): «1. (n. m.) jogo cuja finalidade é perfazer trinta e um pontos ou aproximar-se de trinta e um pontos por defeito e nunca por excesso; 2. (n. m.) tumulto; revolta; 3. (n. m.) grande problema; complicação. 4. (num.) vinte mais onze; o número 31 e a quantidade representada por esse número; o que numa série ocupa o trigésimo primeiro lugar.»
No entanto, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (2009) e a Infopédia – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Porto Editora, registam duas formas distintas:
— o nome masculino de 2 números trinta-e-um (hifenizado), para designar o jogo de cartas;
— o numeral trinta e um (sem hífen).
Por sua vez, o Portal da Língua Portuguesa, da responsabilidade do ILTEC, contempla, também, a forma hifenizada do nome masculino trinta-e-um (invariável).
Perante estes registos, verificamos que há uma certa unanimidade da manutenção do hífen no nome/substantivo trinta-e-um1 (jogo de cartas), não havendo nenhum sinal de dúvida na grafia sem hífen do numeral cardinal trinta e um (tal como já o era na grafia anterior).
Nota: É de referir que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, também regista as duas formas: trinta e um (o numeral e o substantivo que designa «jogo do baralho») e trinta-e-um (espécie de ave). Portanto, só o nome de uma espécie zoológica é que é hifenizado, forma esta que respeita o ponto 3 da Base XV do AO: «Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde; bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio, bem-me-quer (nome de planta que também se dá à margarida e ao malmequer); andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca; andorinha-do-mar, lesma-de-conchinha; bem-te-vi (nome de um pássaro).»

1 A manutenção do hífen no nome masculino trinta-e-um deve-se, decerto, ao facto de se tratar de uma locução cuja grafia hifenizada se encontra já consagrada pelo uso (figurando entre as exceções), o que é previsto no ponto 6 da Base XV (do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares) do Acordo Ortográfico que estipula o seguinte: «Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa). Tal como já acontecia, a hifenização desta locução é a forma gráfica de se estabelecer a distinção deste nome do do numeral trinta e um (não hifenizado). Assim, consoante o seu valor/sentido e a classe de palavras a que pertence, assim a grafia é diferente. Exemplos:
«Estamos a jogar ao trinta-e-um
«Esta turma tem trinta e um alunos.»
Eunice Marta:: 12/06/2012

Nada a haver com isso

Lido... "nada a haver com isso".
O correto será "nada que ver com isso"  ou "nada a ver com" (estar relacionado).

Segundo o FLIP, «alguns puristas da língua têm considerado como galicismo a expressão ter a ver com, desaconselhando o seu uso. No entanto, este argumento apresenta-se frágil (como a maioria dos que condenam determinada forma ou expressão apenas por sofrer influência de uma outra língua), na medida em que a estrutura da locução ter que ver com possui uma estrutura menos canónica em termos das classes gramaticais que a compõem, pois o que surge na posição que corresponde habitualmente à de uma preposição em construções perifrásticas verbais»
 
A locução ter a ver com significa "ter relação com" e o verbo haver, presente na locução ter a haver, pode significar "obter, receber".
 
Atenção
  • A frase Ele não tinha nada a ver com o assalto é parafraseável por Ele não tinha relação com o assalto.
  • A frase Ele não tinha nada a haver com o assalto é parafraseável por Ele não tinha nada a receber com o assalto.
 
 

segunda-feira, maio 21, 2012

Geminada e germinada



Quem nunca leu uma placa com a seguinte indicação: «Vendem-se casas germinadas»?
A casa é GEMINADA (do latim geminare = duplicar) e não GERMINADA que vem de germinar, nascer, brotar

Prontuário AO de 1990

Mais uma obra de apoio.

Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa

 Com a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico, já adotado em Portugal no ensino básico e secundário, inúmeras obras de consulta vocacionadas para estudantes, estudiosos e usuários em geral da língua portuguesa tratam de adaptar-se à nova grafia. É o caso do Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, de Magnus Bergström e Neves Reis, que, ao chegar à 50.ª edição, se apresenta em conformidade com a referida reforma.

A atualização ortográfica coube a Guilherme Ayala Monteiro e, na parte linguística, o trabalho da equipa da Universidade Nova de Lisboa foi coordenado por Maria Henriqueta Costa Campos.

segunda-feira, abril 02, 2012

Anos

Por vezes, ouvimos dizer que alguém tem "vinte e um ano" ou fez "trinta e um ano".
Na verdade, dever-se-ia dizer que fulano tem "vinte e um anos" e sicrano fez "trinta e um anos".
Trata-se de uma expressão que encerra um significado plural, isto é, o conjunto de anos que a pessoa tem.